O que se vê é o que se fala? A sensação é mesmo de pura e permanente fantasia.
É sempre como um novo filme, ou novela.
Certeza absoluta, só pode ser ficção.
Não há como imaginar real a cena de um carro em louca disparada, com um garoto de seis anos pendurado do lado de fora, sendo triturado pela roda traseira, assim como pelas pancadas no asfalto e na lataria do veículo.
Com certeza é tão ficção como a ação inexplicável de um marido que mata a esposa, com mais de dezenove facadas, diante do olhar incrédulo da filha de seis anos que sussurra para um jornalista desavisado: - "Papai espetou a faca na mamãe".
Classificar como disparate a atitude animal de policiais dementes e desequilibrados chutando e socando cidadãos, moradores de uma favela, pelo simples fato de estarem caminhando pelas ruas e becos do sofrido mundo onde residem. Tudo em busca da identificação dos transeuntes, que poderiam supostamente ser bandidos... Poderiam!
É a filha, que num dado momento da sua história, se mancomunando com elementos de alta periculosidade, drogados, bandidos insanos, traça um plano e sem nenhum temor ou piedade promove o assassinato dos pais.
Quanto aos demoníacos e tresloucados traficantes, inspirados em infames desejos de poder e dinheiro, protagonizam suas guerras entre facções, incendeiam ônibus e permitem a carbonização de pessoas, as quais torradas vivas deixam no cenário a imagem definitiva da indecência do crime e de suas podres organizações.
Passamos o dia a dia ao largo da conivência de um sem número de autoridades, sejam simples policiais, parlamentares, poderosos do executivo, juizes, e etc.etc.etc. Um time enorme de especialistas em falcatruas, corrupção ativa e passiva, conluios os mais degradantes possíveis. Patrocínio de alguns, evidentemente não de todos, há que se resguardar os bons de berço. Nem todas as frutas são, ou estão podres no pomar.
Tem sido permanente na boca do cidadão comum, do contribuinte trabalhador seja classe alta, média ou pobre a expressão "Já vi este filme".
Diuturnamente está na tela da nossa consciência a fotografia ensombrecida da criminalidade plena e absoluta, que paira em todos os cantos e recantos das nossas comunidades. Sua força, no que diz respeito à realidade, só faz tomar formato e importância quando da descoberta de que qualquer um de nós está sujeito, independentemente de quem seja, ou de quantos anos tenha.
Causa-nos sim ânsia de vômito, nojo, sentimentos os menos nobres, cada vez que convivemos com tamanha insensatez e brutalidade.
Não cabe neste texto dar ênfase ao desejo de punição, ou falar mais da postura dos três poderes. Mesmo porque, poucas são as vezes que punir é fato, quanto à presença efetiva das autoridades ocorre muito pouco, menos ainda quando o assunto é do interesse comum.
A educação, única forma de minimizar e com o tempo erradicar o mal, fica no plano das idéias e da demagogia. A terra caminha sem lei, pior sem aplicação da lei, sem rumo, basta consideramos que cada atual contraventor é, via de regra, um criminoso premiado por benesses e indultos que lhe permite, sem nenhum estudo prévio, ou auditagem competente, o retorno à sociedade em liberdades condicionais e especiais.
Os homens e as mulheres de bem perderam o trem da vida, aquele que permite a viagem com o sossego, a paz e o amor incondicional.
Restam pelas ruas, além de amedrontadas pessoas, uma infinidade de pústulas, marginais assassinos, sem nenhuma ressonância de sentimento ou piedade, assim como também carros arrastando crianças para a morte.
Que Deus nos ajude e que a nossa indignação não nos transforme em prisioneiros do ódio e da vingança.
Brasília, DF 08 de Fevereiro de 2007